Resenha: Demônios e outros objetos cortantes - Melissa de Sá

21 abril 2018

Caçar demônios é a rotina de Carol, que atravessa a Belo Horizonte noturna com rifles e balas de madeira no porta-malas. Francine só queria passar férias tranquilas com o namorado na praia, mas já não consegue mais deixar de lado seus poderes bruxos. Na onda de assassinatos brutais que assola a comunidade sobrenatural, as duas vão trabalhar juntas para solucionar o caso e descobrir as intrigas que se escondem na teia frágil dos bruxos.





Edição: 1
Editora: Amazon
Ano: 2018
Páginas: 100

*O livro ainda não está disponível separadamente, mas você pode encontrá-lo na Amazon na coletânea Nas sombras da cidade.


Oi, gente! Seguimos na tentativa de estabelecer um cronograma de postagens aqui, dessa vez com um pouco mais de folga que das outras, já que finalmente temos um livro novo que eu realmente gostei!

Demônios e outros objetos cortantes é o sexto (sétimo rs) livro do box Nas Sombras da Cidade, e o primeiro que eu leio da Melissa de Sá. Ele fala sobre uma investigação de assassinatos no mundo sobrenatural (serial killer de bruxos, minha gente!) no meio da cidade de Belo Horizonte, encabeçada por uma bruxa relativamente famosa, uma Caçadora sem papas na língua, e um humano genial que com certeza assistiu muito NCIS nessa vida.



Essa resenha pode (e provavelmente vai) conter spoilers a partir daqui, então se você não quer ler eles, pula pro trecho após o * no final do post, que lá é spoiler-free.

Naquele tom de voz era fácil escorregar por memórias de Carol empapada em sangue, uma arma na mão e uma faca na outra, gritando como um animal.

Carol é a caçadora de demônios mais desbocada que eu já vi e também uma das personagens (em nacionais) que me conquistou mais rápido. Não tem o menor filtro entre o cérebro e a boca, solta a real sem se importar com as consequências, é bastante engraçada e adora chutar bundas por aí. É a minha Winchester versão brasileira. Sempre posso contar com ela para fornecer o banho de sangue e as piadinhas que eu tanto amo. Mas como a personagem não poderia ser só tiro, porrada e bomba, Carol também tem seus traumas e problemas que tenta superar ao longo do livro (e alguns ficam pendentes), como ser antissocial, não gostar de trabalhar em equipe e ser assombrada pelo seu passado e pela morte do Marcus (um ex-namorado que foi assassinado em uma das missões dela).

— Pra sua informação, Carolina, eu sou bem durona quando quero, ok?
Carol parou de andar, arqueando as sobrancelhas enquanto encarava a amiga, que vinha se equilibrando nos saltos.
— Eu consigo correr de salto. Você nunca viu o novo Jurassic Park? — reclamou Francine.
— Não vou discutir com você depois de uma referência dessas. Sinceramente.

Já Francine, uma das bruxas mais poderosas da sua idade, é um mundo de referências de filmes e seriados. Amiga de infância da Carol, ela é quase o exato oposto da caçadora: loira, patricinha, diplomática e certinha. Mas não pense que ela é como mais uma daquelas jovens de Beverly Hills, não! Fran também tem seus momentos durona (apesar do quote indicar o contrário rs), seus problemas familiares com a mãe (que a abusava magicamente quando criança), e tem um papel muito importante na trama principal!

Ele repetiu o número devagar, antes de gritar:
— Dezesseis!
— O quê? Peraí, Carol, que o João Paulo está tendo um acesso.
— Fran, quatro vezes quatro são dezesseis!
— Eu sei que você é de humanas, mas...

E já que falei da Francine, precisamos falar do incrível namorado humano dela. Justamente a pessoa que nem deveria estar ali, no meio de uma treta sobrenatural, é quem mais tá empolgado e concentrado na investigação. JP é um gênio e soluciona 80% dos mistérios do livro. Certeza que todos os cento e tantos bruxos teriam morrido se ele não estivesse lá para ajudar as meninas.

Ouvi as histórias. Lidaram com um grupo particularmente perigoso de vampiros alguns meses atrás, conseguiram selar demônios em outra dimensão. Só estou dizendo, Caçadora, que talvez Francine possa se desenvolver melhor sob a proteção do Conselho.
— Peguei primeiro, foi mal — fez Carol erguendo os ombros.

Contudo, o casal (Fran e JP) também protagoniza um dos dois únicos defeitos que eu encontrei: algumas cenas deles juntos são bem melosinhas, destoando completamente do clima do livro, que tem uma pegada mais “mistérios e pancadaria” da fantasia urbana. E a outra coisa que eu não gostei foi a quantidade de citações a eventos anteriores que não aconteceram nesse livro, dando uma sensação de ter começado a ler pelo segundo ou terceiro de uma série, o que não é o caso. E foram justamente essas citações que me empolgaram no decorrer da leitura: casos sobre vampiros, brigas com outros demônios e mais assassinatos. Quero todas essas histórias na minha mesa para ontem, Melissa!

— Eu vi seres hediondos, demônios, humanos deturpados se arrastando nas sombras. Um altar negro onde aranhas rastejavam e sangue escorria por toda parte. Correntes, gritos e sofrimento. Uma fenda de onde escorria um líquido negro e viscoso como piche, mas que exalava desespero.

Agora, sobre o mundo fantástico criado pela autora: tem tanto potencial! Ela apresenta pra gente bruxos, mães, elementais, caçadores, vários tipos de demônios e até mesmo personagens do nosso folclore, como o curupira e a pisadeira. Como o livro é super curtinho, não dá pra se aprofundar em todos eles, mas cada um ganhou seus “15 minutos de fama” para exibir seus poderes e deixar a gente com gostinho de quero mais.

Carol disparou uma vez. O demônio apenas olhou a bala que entrara em seu ombro esquerdo como se fosse um mosquito pousando em sua pele.

E já que falei sobre eles: eu particularmente amei os demônios, em especial o que mata o Gabriel e o que assombra a Carol. Eles têm estilo. Rolaram altos gritos durante a leitura, principalmente na última cena, que me deixou em posição fetal esperando mais páginas aparecerem magicamente no meu ebook. EU PRECISO DE MAIS.

Cinco demônios, três deles com armas de fogo, o que não era nada comum. Fora que invadir um terreiro das mães era romper um tratado mágico antigo. Aquilo ali era uma porra sinistra.

De quem foi a ideia de jerico de dar armas de fogo para os demônios, não sei, só sei que ele(a) deveria dar mais. Eu quero mais caos. Mais sangue. Mais bang-bang. Mais gente morrendo e demônios aparecendo do nada. Mais portais se abrindo e o mundo acabando. Yey!


*

Só eu que achei esse livro muito curto?
Ele é bom demais para só ter 100 páginas!

Demônios e outros objetos cortantes é uma leitura rápida, fácil e muito divertida. Os personagens são bastante cativantes e fáceis de se identificar (e se apaixonar). Carol, em especial, me conquistou desde a primeira cena. Para os amantes de fantasia urbana, temos aqui um belo exemplo de uma história que se passa em solo brasileiro (BH, sempre BH rs) que vai te deixar com uma pulga atrás da orelha e um desejo por mais.


Isso é tudo, pessoal.
Beijos e até a próxima!


PS1: Fica aqui meu pedido para a autora escrever uma versão mais longa desse livro e publicar solo. <3

PS2: Foi muito difícil ser objetiva e menos surtada resenhando esse livro, então fica aqui um resumo do que foi a leitura dessa semana:
EU AMEI.
COMO ASSIM JÁ ACABOU?
EU. PRECISO. DE. MAIS.
RECOMENDO MUITO.
MELISSA, PRECISAMOS CONVERSAR!






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